| Soneto do Só
Depois foi só. O amor era mais nada. Sentiu-se pobre e triste como Jó. Um cão veio lamber-lhe a mão na estrada Espantado, parou. Depois foi só. Depois veio a poesia ensimesmada Em espelhos. Sofreu de fazer dó. Viu a face do Cristo ensaguentada Da sua, imagem - e orou. Depois foi só Depois veio o verão e veio o medo Desceu de seu castelo até o rochedo Sobre a noite e do mar lhe veio a voz A anunciar os anjos sanguinários... Depois cerrou os olhos solitários E só então foi totalmente a sós. Vinicius de Moraes |
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