Acho engraçado essa história de blog.
Tenho um amigo que fica sem jeito de se expor assim, a tantas pessoas. Daí ele resolveu falar que o blog não era dele, que era de um amigo! Olha que genial! Que nem aquela história do "eu tenho um amigo, doutor, que está tendo problemas conjugais... tem como me dar uma receita do remedinho do Pelé?"
Mas veja bem... num momento você está trancado no seu mundo, remoendo seus desejos... no outro, você publica pra quem quiser ver todos os seus planos, sucessos e fracassos. As suas angústias, a sua dor, enfim, tudo. Não existe mais privacidade, porque mesmo que você não tenha um blog, pessoas que convivem contigo têm, e podem acabar contando a sua história nos molde de "um amigo meu..."
E as namoradas então? "Como você teve coragem de falar aquilo no seu blog?", "Então é isso que você pensa?" e por aí vai.... convenhamos, há mais complicações nessa abertura do particular do que aparenta num primeiro momento.
Por outro lado, o que atrai bloggers por aí é justamente essa magia do se expor, do saber o que as pessoas pensam sobre o que você pensa, é essa coisa de ter o seu lado poético liberado, de mostrar o sentimento, de ser você, e não apenas mais um número numa página que você fez cinco anos atrás e que pouco diz sobre você humano, você pessoa que tem sentimentos, que ama, odeia, ri e chora. É esse lado humano que está sendo resgatado nessa era de anonimidade. E, de qualquer modo, é possível expor sua alma sem se comprometer totalmente. É um resgate do poema anônimo no mural da faculdade, do caderno de contos escrito sob pseudônimo. Afinal, mesmo que esse meu amigo tenha receio de se expor, sempre haverá espaço para botar a culpa n'outro amigo...
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