terça-feira, fevereiro 25, 2003

É complicada essa história de amor... Como amar? por que amar? o que amar?
É tão fácil dizer "eu te amo", ou "eu amo tal coisa", mas tão difícil realmente englobar o sentido dessa expressão tão mal usada atualmente... E os tipos de amores então? Amores imortais, amores ternos e suaves, amores selvagens e furiosos, amores de carne e de coisas. É... amar é sofrer, mas faço minhas as palavras de nosso saudoso Carlos Drummond de Andrade:

Amar

Que pode uma criatura senão
entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?

Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?

Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina.

Este é o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.

Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.

(drummond)


Gosto de ler, como gosto de amar. Amo pessoas que fazem parte de minha vida, homens e mulheres, jovens e idosos, e mesmo alguns desconhecidos que me cumprimentam nesta Curitiba cinzenta. Amo objetos que vi, canções que ouvi e livros que li. Coisas que me construíram, que fizeram de mim o que hoje sou. Pedaços de meu mundo que nada nem ninguém conseguirá arrancar de mim. E a poesia é uma dessas coisas. Não li muitos poetas, mas costumava ver muita poesia. Poesia nas cores, poesia nos sons, poesia nas palavras. E também poesia num gesto, num olhar, ou até mesmo na queda de um lápis ao chão. E sinto falta dessa poesia. será que ela me abandonou? espero que não.

Gosto muito de Drummond. Gosto também de Vinícius (de Moraes). Já vieram me dizer que "eu lia Vinicius quando eu tinha 12 anos, depois cresci". É... pena que crescer, para alguns significa parar de sonhar, parar de se encantar com a magia nas palavras de um poeta.
Ainda gosto dos livros que li quando criança, e que não diminuíram em qualidade com meu aumento de estatura. Ainda comprarei uma edição especial d'O Pequeno Príncipe , com muitas figuras e capa dura, como criança gosta, para reler e reler e reler até que as páginas amareladas se despreguem, e que as cores desbotem e que os olhos do leitor se fechem.

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