sábado, janeiro 17, 2004



O que estou fazendo nesta terra estranha?
Não conheço ninguém aqui, fora trabalho e universidade. Não tenho amigos para visitar em casa, jogar conversa fora e tratar de assuntos de interesse comum... O curitibano médio tem muito a ver comigo. É calado, não se mistura e se mantém o mais afastado possível pelo maior tempo possível. Tenho uns poucos amigos por aqui, mas não fazemos nada desse tipo. Por que? bah.... fique você sem beber álcool e me diga depois como sua vida (anti) social se transformou... Nas festas, você é o sóbrio, o careta. Na noite, você é quem fica buscando sentido nas asneiras que saem depois do sexto chopp. Isso sem falar que quando saímos eu e minha mulher e pedimos uma cerveja e uma coca, o garçom sempre serve a coca para ela. É uma situação chata.

Sobriedade é ruim para a integração social.

E é estranho isso... há uma hipocrisia profunda na nossa postura com relação ao álcool. Ora, o álcool é uma droga, ele altera a percepção, tornando engraçadas coisas imbecis, alegrando a mente, tal. Por limitação física (e ordem médica) eu não posso ingerir álcool. No entanto, quisesse eu, não poderia utilizar-me de outra droga qualquer para passar pelos mesmos efeitos do álcool. Não que eu queira, não é isso. Nunca usei drogas, e, apesar de curioso, não me sinto nem tentado a usá-las. É uma questão de liberdade. Quero ter a liberdade de poder usar drogas levemente alucinógenas como todo mundo. Por que diabos só o álcool é liberado? Não estou falando de vinho ou conhaque. Falo da loirinha mesmo, da cerveja. A propaganda em torno da cerveja sempre exalta festa, mulher bonita e a alegria trazida pela bebida. Eu queria ver propaganda de maconha na televisão, e em breve teríamos as variações... "Cannabis Maubôuro: efeitos de larica reduzidos! fume, mas não engorde!" "Cigarros Lucky Spike agora em três versões: filtro amarelo, filtro branco e filtro roxo, não, amarelo, não, vermelho com listras azuis, não, pintado.... nóó.... manêro" e coisas do gênero...

Não me leve a mal, não quero que legalizem a maconha. Quero ter a liberdade de poder usar a droga que eu bem entender, seja álcool, tabaco, ópio ou o diabo que seja. Fico muito puto com nego querendo fazer lei pra priobir RPG porque um imbecil matou uma menina em Ouro Preto, e nada se faz pra regular o uso de álcool, que mata milhares de pessoas todo ano, por doençaa ou irresponsabilidade no trânsito, o que, a meu ver, é ainda pior. Se quiser se matar, foda-se, se mate. Só não venha bêbado atropelar João ou Maria ou José.

Chega por hoje.

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