terça-feira, fevereiro 10, 2004

O Exílio do Brasil.

Eu estava lendo o pingo do i, e essa minha amiga estava falando de seu exílio (voluntário) numa terra estranha. Para ilustrar, ela usou a "Canção do Exílio", de Gonçalves Dias:

Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Nao gorjeiam como lá.

Nosso ceu tem mais estrelas,
Nossas varzeas tem mais flores,
Nossos bosques tem mais vida,
Nossa vida mais amores.

(...)


É estranho dizer isso, mas também me sinto exilado do Brasil. Onde está o Brasil dos sabiás, dos bosques e dos amores? Eu olho à minha volta, e o que vejo é um Brasil cinza, com um povo mais pacífico do que deveria, que aceita tudo sem dizer nada, que apanha na cara e olha pra baixo. Vejo um Brasil que queima seus bosques, que vende seus sabiás para gaiolas estrangeiras, que transforma seu amor em mercadoria para turistas.

Onde está o Brasil das canções, o Brasil brasileiro, de amor e verso?

Só vejo o Brasil do Axé, do sexo fácil, da corrupção descarada.
Vejo um Brasil de sabiás mortos.

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